Já era demais a demora.
Mais de 50 minutos para entregar uma pizza meia "mozzarella", meia calabresa!
A voz atordoada, do outro lado, explicou que o entregador acabara de sofrer um acidente fatal.
Com redobrado mau humor, quis saber quanto tempo ainda teria de esperar e aproveitou para pedir também um refrigerante de dois litros.
domingo, 13 de junho de 2010
Vocação
Enquanto preparava o cachorro quente do rapaz de terno, na movimentada avenida central, o engenheiro pensava na última dívida prestes a saldar.
Quem sabe, em breve, até trocaria de carro?
Sua barraquinha era um primor e ele, esbanjando habilidade e dedicação, lidava com salsichas e mostarda como se fossem trenas e esquadros.
Só lhe faltava ser feliz.
Queria ser músico.
Quem sabe, em breve, até trocaria de carro?
Sua barraquinha era um primor e ele, esbanjando habilidade e dedicação, lidava com salsichas e mostarda como se fossem trenas e esquadros.
Só lhe faltava ser feliz.
Queria ser músico.
Descaminhos
Tensos e apressados, pai e mãe arrastavam o menininho pelas mãos.
Ele acompanhava com esforço o rumo pelo qual o conduziam, com as perninhas trôpegas.
Seus olhos, no entanto, seguiam lentamente o alegre cãozinho que via nas nuvens.
Por isso, caminhava sorrindo.
Ele acompanhava com esforço o rumo pelo qual o conduziam, com as perninhas trôpegas.
Seus olhos, no entanto, seguiam lentamente o alegre cãozinho que via nas nuvens.
Por isso, caminhava sorrindo.
Para nunca mais
Entrou, sorrateiramente, esgueirando-se pelas paredes.
Na passagem pelo corredor derrubou, desajeitado, o quadro da parede.
Praguejou entre os dentes, na certeza de que a tinha acordado.
Ainda titubeou, antes de abrir a porta do quarto, preparando-se para o choro e as lamúrias de sempre.
Só quando se deitou na cama, percebeu que ela não estava lá.
Para nunca mais.
Na passagem pelo corredor derrubou, desajeitado, o quadro da parede.
Praguejou entre os dentes, na certeza de que a tinha acordado.
Ainda titubeou, antes de abrir a porta do quarto, preparando-se para o choro e as lamúrias de sempre.
Só quando se deitou na cama, percebeu que ela não estava lá.
Para nunca mais.
Esperando pela festa
Vestiu o pretinho básico de sempre e descobriu que, sozinha, não conseguia fechá-lo nas costas.
Também não pôde colocar, com apenas uma das mãos, a pulseirinha de pérolas que usava com o vestido verde de seda.
Uma leve nostalgia começou a brotar.
Lentamente, retirou da gaveta a velha camiseta florida, olhou-se no espelho e sorriu satisfeita.
Espalhou-se devagar na cama onde, por tanto tempo, dormira encolhida e, fixando o teto, começou a gargalhar.
Também não pôde colocar, com apenas uma das mãos, a pulseirinha de pérolas que usava com o vestido verde de seda.
Uma leve nostalgia começou a brotar.
Lentamente, retirou da gaveta a velha camiseta florida, olhou-se no espelho e sorriu satisfeita.
Espalhou-se devagar na cama onde, por tanto tempo, dormira encolhida e, fixando o teto, começou a gargalhar.
Bom dia
Deu bom-dia ao espelho.
Ali estava ela, fiel amiga, no diálogo mudo de todas as horas.
Até que não estava mal: ainda de pé, ainda sorrindo, ainda sonhando.
Conferiu-lhe os traços, os sulcos, os dentes e, zombeteira, agitou os braços.
Foi plenamente correspondida.
Nos últimos tempos, depois que os filhos cresceram, passaram a se conhecer cada vez melhor.
Acolhiam-se, faziam planos, trocavam confidências e receitas, divertiam-se, fazendo comentários irônicos ou engraçados acerca de tudo e de todos!
Cumplicidade total.
Esse era, no momento, seu grande amor.
Essa, a mulher que, ao longo dos anos, aprendera a respeitar.
Olhou-a longamente, num misto de admiração e ternura.
Depois, ajeitou-lhe os cabelos e, sentindo-se melhor do que nunca, convidou-a para o café da manhã.
Ali estava ela, fiel amiga, no diálogo mudo de todas as horas.
Até que não estava mal: ainda de pé, ainda sorrindo, ainda sonhando.
Conferiu-lhe os traços, os sulcos, os dentes e, zombeteira, agitou os braços.
Foi plenamente correspondida.
Nos últimos tempos, depois que os filhos cresceram, passaram a se conhecer cada vez melhor.
Acolhiam-se, faziam planos, trocavam confidências e receitas, divertiam-se, fazendo comentários irônicos ou engraçados acerca de tudo e de todos!
Cumplicidade total.
Esse era, no momento, seu grande amor.
Essa, a mulher que, ao longo dos anos, aprendera a respeitar.
Olhou-a longamente, num misto de admiração e ternura.
Depois, ajeitou-lhe os cabelos e, sentindo-se melhor do que nunca, convidou-a para o café da manhã.
Morte anunciada
Nos dias ímpares, tomava, em jejum, chá de boldo. Nos pares, água morna com limão.
Fazia bem ao fígado e desintoxicava o sangue...
Quarenta e cinco minutos depois, e meia hora antes da papa de aveia com alfafa, administrava, sob a língua, uma colherzinha de geléia real.
Não comia carne de espécie alguma, há mais de vinte anos.
E, desde então, alimentava-se apenas de grãos, cereais e vegetais orgânicos, mastigados cem vezes, antes de engolidos.
Bebia três litros de água magnetizada por dia, sendo um copo a cada meia hora.
E, todas as tardes, comia ao menos três frutas, mas sempre três horas após o almoço, para não atrapalhar a digestão.
Açúcar? Nem pensar...
Fazia bochechos diários com óleo de gergelim, prensado a frio.
E, de manhã e à noite, alternava compressas quentes e geladas sobre o corpo, para ativar a circulação.
Caminhava, ao menos, duas horas por dia.
Fazia massagens e meditação.
Também não fumava, não bebia, dormia cedo e jamais chegara perto de qualquer droga.
Engasgou-se, inexplicavelmente, hoje, pela manhã, com uma migalha de pão integral.
Mas morreu na mais perfeita saúde...
Fazia bem ao fígado e desintoxicava o sangue...
Quarenta e cinco minutos depois, e meia hora antes da papa de aveia com alfafa, administrava, sob a língua, uma colherzinha de geléia real.
Não comia carne de espécie alguma, há mais de vinte anos.
E, desde então, alimentava-se apenas de grãos, cereais e vegetais orgânicos, mastigados cem vezes, antes de engolidos.
Bebia três litros de água magnetizada por dia, sendo um copo a cada meia hora.
E, todas as tardes, comia ao menos três frutas, mas sempre três horas após o almoço, para não atrapalhar a digestão.
Açúcar? Nem pensar...
Fazia bochechos diários com óleo de gergelim, prensado a frio.
E, de manhã e à noite, alternava compressas quentes e geladas sobre o corpo, para ativar a circulação.
Caminhava, ao menos, duas horas por dia.
Fazia massagens e meditação.
Também não fumava, não bebia, dormia cedo e jamais chegara perto de qualquer droga.
Engasgou-se, inexplicavelmente, hoje, pela manhã, com uma migalha de pão integral.
Mas morreu na mais perfeita saúde...
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